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O escritório de 2050 já começou a ser construído

E ele tem Implantes neurais, realidade virtual e o fim do deslocamento diário

Em 1995, prever que reuniões de trabalho ocorreriam por vídeo, que documentos seriam assinados digitalmente e que equipes inteiras operariam sem nunca se encontrar pessoalmente soaria como argumento de ficção científica corporativa. Três décadas depois, essas práticas são rotina. Agora, pensando em 2050, as organizações terão capacidade de absorver outras mudanças? E quais seriam?

O International Workplace Group, empresa com presença global nas marcas Regus e Spaces, publicou o estudo Work Reimagined: The Office of 2050, com líderes de RH e funcionários do mundo todo. Mais de sete em dez funcionários (72%) e 68% dos líderes de RH acreditam que a tecnologia no ambiente de trabalho será irreconhecível até 2050.

O que os profissionais esperam ver

Implantes neurais, que conectam diretamente o cérebro humano a dispositivos externos, emergem como a principal tecnologia que profissionais globais esperam ver no ambiente de trabalho até 2050. A tecnologia já está em desenvolvimento por empresas como a Synchron e a Neuralink, de Elon Musk.

Vale dizer que implantes neurais não são ficção especulativa de ficção científica: em 2024, a Neuralink realizou os primeiros implantes em humanos, voltados inicialmente para pacientes com paralisia. A Synchron já havia feito implantes anteriores, com o objetivo de permitir que pacientes controlassem dispositivos digitais com o pensamento. A trajetória tecnológica é real. O que 2050 representa é a transposição dessas aplicações médicas para o ambiente de trabalho cotidiano.

Realidade virtual e aumentada aparecem como a segunda tecnologia mais esperada. Cerca de 70% dos líderes de RH e 69% dos funcionários acreditam que salas de reunião em realidade virtual substituirão muitas interações tradicionais de escritório, incluindo reuniões presenciais, até 2050. Outros 71% dos líderes de RH e 73% dos funcionários acreditam que IA e automação vão reformular a maioria das funções de escritório.

O escritório como organismo e não como depósito de gente

Paralelamente às previsões sobre tecnologia, o estudo aponta uma mudança na concepção do espaço físico de trabalho. O escritório deixa de ser um container no qual as pessoas executam tarefas e passa a ser um ambiente projetado para influenciar ativamente o comportamento, a concentração e o bem-estar de quem o usa.

Esse movimento tem nome: neuroarquitetura. Desenvolvida na intersecção entre neurociência e arquitetura, a disciplina estuda como o ambiente construído influencia o cérebro e, por consequência, as emoções, a criatividade e a capacidade cognitiva dos trabalhadores. A premissa é que o design do espaço não é neutro: cores, iluminação, acústica, presença de elementos naturais e fluxo de circulação afetam diretamente o desempenho de quem trabalha nele.

Pesquisadores da Universidade de Essex identificaram que a adição de plantas no escritório aumentou a produtividade em 15%. Revisão integrativa publicada em abril de 2026 na Springer Nature, que analisou 203 fontes acadêmicas publicadas entre 2005 e 2024, identificou que o design biofílico está consistentemente associado a resultados positivos para os trabalhadores, incluindo redução de indicadores fisiológicos de estresse.

O conceito de design biofílico, que incorpora elementos naturais aos espaços de trabalho, como luz natural, plantas, materiais orgânicos e vistas para áreas verdes, é a aplicação mais acessível da neuroarquitetura no curto prazo. No horizonte de 2050, o IWG projeta os escritórios que respondem ativamente às necessidades individuais dos trabalhadores: ambientes que se adaptam à luz natural disponível, ao nível de ruído preferido, à temperatura ideal para cada tipo de tarefa. O espaço como extensão do sistema de trabalho, não como pano de fundo.

O fim do deslocamento e da jornada fixa

O levantamento da IWG mostra ainda que 69% dos líderes de RH preveem que os longos deslocamentos diários e o horário tradicional das 9h às 17h desaparecerão nos próximos 25 anos; e 66% dos funcionários e 63% dos líderes de RH esperam que mandatos rígidos de retorno ao escritório deixem de existir à medida que as organizações priorizem flexibilidade e autonomia dos trabalhadores.

Para Tiago Alves, CEO do IWG no Brasil, permitir que as pessoas trabalhem mais perto de casa ou de forma mais distribuída gera benefícios concretos tanto para funcionários quanto para empresas.

O dado do IWG converge com projeções de outras fontes. A McKinsey estima que até 2030, em um cenário de adoção intermediária, até 30% das horas trabalhadas atualmente poderiam ser automatizadas, aceleradas pelo crescimento da IA generativa. O Fórum Econômico Mundial projeta geração líquida de 78 milhões de empregos globais até 2030, com cerca de 170 milhões de novas funções em áreas como inteligência artificial e big data, parcialmente compensando os 92 milhões de postos que serão transformados ou extintos. O cenário é de transformação da natureza do trabalho e da natureza do espaço onde ele acontece.

A distância entre 2050 e hoje

O estudo do IWG projeta um futuro que, visto de perto, já tem suas primeiras camadas em funcionamento. O trabalho híbrido é realidade. A IA já opera em processos de recrutamento, análise de dados e comunicação interna. O design biofílico já está presente em escritórios que entenderam que o espaço físico não é neutro. Os implantes neurais já existem, em contexto médico. 2050 representa o ponto de chegada de tendências que já estão em movimento. A pergunta que as organizações precisam responder agora é sobre o que vão fazer entre o hoje e lá.

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