de encontro

Do “engatar a primeira” ao protagonismo

As lições de Carolina Cavenaghi para quem recruta talentos

Se você já se perguntou por que aquela executiva brilhante simplesmente “sumiu” do mercado após a licença-maternidade, Carolina Cavenaghi tem algumas respostas. E elas podem incomodar um pouco. CEO da Fin4She e recém-chegada à lista das 50 mulheres de impacto da Bloomberg Línea, Carolina passou 15 anos no mercado financeiro antes de descobrir que havia algo de errado quando 800 mulheres se inscreveram para um evento sobre carreira feminina que ela organizou quase por acaso.
“Faço parte de uma geração criada para trabalhar, ser alguém na vida, ter um bom emprego”, conta, com a franqueza de quem já passou pela fase de tentar impressionar todo mundo. “Como brinco, ‘engatei a primeira’ e fui trabalhando muito sem me questionar.” Até que o nascimento do segundo filho a fez apertar o freio de mão e olhar ao redor. O que viu não foi animador: mulheres desaparecendo das posições de liderança como num truque de mágica mal executado.
A partir dessa constatação, Carolina criou o Mapa de Empoderamento Profissional (MEP), uma metodologia que, traduzindo para o jargão de RH, é basicamente um GPS para mulheres que se perderam na própria carreira. “Muitas vezes, as mulheres buscam mentorias sem ter clareza do que querem extrair da outra pessoa”, explica. “De que adianta buscar networking se você não sabe o que precisa daquela pessoa?” – uma pergunta que deveria estar estampada na parede de todo evento de networking corporativo.
Para Carolina, que hoje defende que “a jornada é a meta”, o mercado ainda opera com códigos não escritos que excluem mulheres. “Enquanto não tivermos nossa independência e autonomia financeira, não conseguimos decidir livremente”, dispara. “É por isso que temos um trabalho muito forte para que as mulheres busquem essa independência financeira, pois ela é o verdadeiro protagonismo e a verdadeira liberdade.”
A executiva que hoje convive diariamente com “coragem e risco” no empreendedorismo deixa um recado direto para quem está na dúvida sobre assumir o protagonismo da carreira: “Acredite em você. Passamos muito tempo tentando nos moldar às expectativas dos outros. Dê um passo para dentro para poder dar milhões de passos para frente.”
Simples assim. Ou quase.

Sua trajetória envolve a transição do trabalho em grandes instituições financeiras para a criação de uma plataforma focada em equidade de gênero. Houve algum momento que foi o divisor de águas para você perceber que precisava criar algo novo? Como você soube que era hora de deixar a estabilidade corporativa para se aventurar no empreendedorismo social?

Sim, houve um momento de transição. Trabalhei por 15 anos no mercado financeiro, mas já vinha me questionando muito sobre os próximos passos. Faço parte de uma geração criada para trabalhar, ser alguém na vida, ter um bom emprego, estabilidade financeira e um trabalho considerado bom pela sociedade. Consegui um estágio no mercado financeiro e, como brinco, “engatei a primeira” e fui trabalhando muito sem me questionar, em busca de independência financeira e promoções. O mercado financeiro é um lugar que oferece muitas oportunidades, e fui aproveitando-as e ficando.

Um momento muito emblemático para mim foi o nascimento do meu segundo filho. Comecei a me questionar profundamente sobre o propósito da minha carreira. Percebo que passamos por algumas etapas profissionais que se alinham com a maturidade. Iniciei um processo de imersão e mergulho para entender quais seriam os próximos caminhos.

E como foi esse processo?

A transição de carreira não foi uma resposta óbvia e imediata, mas ao iniciar esse processo, conversei com outras mulheres do mercado para entender suas experiências. Foi então que percebi que muitas mulheres deixavam suas carreiras após a maternidade e que poucas ocupavam cargos de liderança. Por meio dessa curiosidade e da vontade de trocar experiências, entendi que existia uma lacuna gigante. Demorei para perceber que as mulheres não estavam posicionadas como deveriam, pois vivíamos um momento em que não se falava sobre diversidade, éramos um pouco leigos nesse tema. Me apaixonei pelo assunto e decidi organizar um evento em 2019, ainda trabalhando em uma gestora de fundos de investimento americana. Oitocentas mulheres se inscreveram para participar, e percebi que havia um mercado enorme para isso. A transição, como mencionei, não foi fácil nem óbvia. Para mim, ficou claro que era um processo que começava e terminava em mim. Sair de uma grande corporação para investir em um projeto e um sonho em que se acredita, muitas vezes, significa não receber apoio de pessoas importantes, pois há muitas expectativas sobre o que é uma carreira de sucesso, o que é sucesso, ou o que é “certo” com dois filhos pequenos. Foram pontos marcantes que me fizeram entender que seria uma transição solitária. Algo crucial que me deu coragem para dar esse passo foi a independência financeira que construí ao longo de 15 anos de carreira. Tinha uma reserva para sobreviver se tudo desse errado, e isso me deu força para seguir meu sonho e empreender.

“Um momento muito emblemático para mim foi o nascimento do meu segundo filho. Comecei a me questionar profundamente sobre o propósito da minha carreira.”
Uma pesquisa da B3 de 2023 mostrou que, embora o número de mulheres investidoras tenha crescido, a participação feminina em cargos de liderança no setor de fundos e de gestão de ativos ainda é muito pequena. Além das barreiras óbvias, quais são os “códigos não escritos” do mercado financeiro que ainda excluem mulheres?

Existem muitas barreiras, as óbvias e as não óbvias. Começamos com uma barreira histórica: um mercado totalmente masculino, feito por homens e para homens. Outra barreira muito relevante é a oportunidade. Vivemos em um mercado que prega a meritocracia, mas em um país com um abismo social como o Brasil, é difícil falar de meritocracia quando tantas pessoas não têm oportunidade de estudar ou seguir carreiras que as levem a cargos de destaque. Existe também uma barreira extremamente relevante, muitas vezes velada e pouco falada, que é a barreira financeira. Ela impacta diretamente as mulheres. Enquanto não tivermos nossa independência e autonomia financeira, não conseguimos decidir livremente. É por isso que temos um trabalho muito forte para que as mulheres busquem essa independência financeira, pois ela é o verdadeiro protagonismo e a verdadeira liberdade.

A criação do Mapa de Empoderamento Profissional (MEP) é um dos seus projetos centrais. As cinco etapas que o compõem (reflexão, intenção, movimento e ação, coragem e risco, rede e conexão) parecem seguir uma lógica muito específica. Como você chegou a essa sequência? Qual foi o processo de validação dessa metodologia com as mulheres que participaram?

A criação do MEP partiu de uma jornada pessoal e da minha própria transição de carreira. Esse mapa foi intuitivo para mim, mas depois de refletir sobre as perguntas de tantas mulheres que me procuravam em busca de mentoria e querendo saber como fiz a transição, decidi dividir esse processo. Fiz um exercício de reflexão sobre os passos cruciais da minha transição e da definição dos rumos da minha carreira. As cinco etapas do MEP são baseadas nesses pontos cruciais que me trouxeram sucesso na transição e na criação da minha empresa, e servem para guiar outras mulheres. Muitas vezes, as mulheres buscam mentorias ou networking sem ter clareza do que querem extrair da outra pessoa, qual sua intenção no momento da carreira ou para onde querem ir. De que adianta buscar networking se você não sabe o que precisa daquela pessoa? Criei o mapa para compartilhar, com base na minha experiência, caminhos que considero relevantes e importantes para qualquer pessoa, em qualquer etapa. É um mapa que cada uma pode adaptar, seguindo essas etapas para definir o que realmente importa, sua intenção, seus valores, a importância da conexão em redes e o entendimento de que é um processo único e individual. Percebo que muitas mulheres depositam a responsabilidade nos outros (“não sou promovida”, “não consigo”), então a ideia é fortalecer o caminho único de cada mulher.

Você menciona a importância de pausar, se escutar e reencontrar o rumo da carreira. Em uma cultura do “sempre ligado” e da produtividade constante, como convencer executivas aceleradas de que essa pausa não é tempo perdido, mas investimento estratégico?

Acredito cada vez mais na importância da pausa dentro do nosso processo profissional. Vivemos em um mundo hiperconectado, algo que não existia 20 ou 30 anos atrás. Não há um momento de desconexão, seja a trabalho ou em outras redes. Muitas pesquisas e dados indicam que essa hiperconectividade prejudica nossa saúde social, além de não permitir momentos de conexões mais reais e presenciais. Muitas vezes não temos clareza da nossa intenção ao buscar uma conexão ou uma mentoria. A pausa é fundamental para parar, refletir, se permitir e ter momentos de quebra na rotina. Em grandes metrópoles como São Paulo, a rotina é exaustiva e gera uma sensação de sempre estar “devendo” mais. Líderes e executivas que se permitem pausas têm resultados muito interessantes, seja por meio de conexões, reflexão ou criatividade. Um líder que precisa criar e pensar, mas está constantemente consumido por atividades, não tem esses momentos. Um exemplo prático: propus uma imersão fora de São Paulo para um grupo de executivas, mas em uma terça-feira. Todas confessaram que foi difícil dizer “sim” e se permitir, mas o resultado foi excepcional. Não só pela conexão real e pela troca, mas também gerou negócios entre as mulheres do grupo, que continuam se encontrando. O fato de ter sido uma pausa, um break em uma semana comercial normal, saindo do ambiente de escritório, provocou conversas profundas e verdadeiras, gerando resultados e negócios entre elas.

“Foi então que percebi que muitas mulheres deixavam suas carreiras após a maternidade e que poucas ocupavam cargos de liderança. Por meio dessa curiosidade e da vontade de trocar experiências, entendi que existia uma lacuna gigante.”
Existe uma pressão para que mulheres sejam “duas ou mais vezes melhores” para ocupar os mesmos espaços que os homens. Como você trabalha com suas mentoradas para que elas encontrem o equilíbrio entre a excelência necessária e a não sobrecarga? Qual a diferença entre “se preparar bem” e “se sabotar por excesso de perfeccionismo”?

Sim, diversas pesquisas mostram que as mulheres se preparam duas ou mais vezes mais para reuniões, apresentações ou processos seletivos, pois precisam se provar, é mais duro para elas. Algumas pesquisas também indicam que mulheres são promovidas apenas por provar sua capacidade, enquanto homens são promovidos ou contratados com base no potencial que podem vir a ter. São vieses reais que acontecem no mercado, às vezes velados, outras vezes não. Acredito que há uma questão de a mulher incorporar a necessidade de ser perfeccionista, de saber mais que todo mundo, de ser perfeita. Eu preparo minhas mentoradas para um lugar de coragem e ousadia. Cada processo é individual, e não gosto de discursos genéricos, pois cada pessoa tem sua história e seu momento de vida. Recentemente, conversando com uma mentorada que é uma executiva excepcional com currículo fantástico e filhos pequenos, vi que ela estava sobrecarregada. Eu a aconselhei a sair em um horário razoável para encontrar os filhos acordados, se isso fosse possível no que ela busca para a carreira, pois seu momento de vida permitia. Se o emprego fosse o sustento da família, a postura seria diferente. Por isso, não existem fórmulas mágicas; cada profissional encontrará a sua para ter sucesso, de acordo com sua intenção, motivação e objetivos naquele momento da carreira. Nós mulheres muitas vezes nos colocamos no lugar do medo, com a preocupação do que os outros vão pensar ou achar, influenciadas pela expectativa alheia. Sobre a sobrecarga, o que sugiro é tentar soltar mais, descentralizar e entender nossos “inegociáveis” dentro da relação de trabalho. Com clareza de nossa intenção e inegociáveis, fica mais fácil entender nossos limites. Isso não significa não entregar, mas sim uma adaptação na forma de fazer as entregas.

Como navegar por esses novos mares de carreira, em meio a tanta transformação? No que temos de focar?

Todo o processo de mentoria no MEP é de auto investigação. Trabalhamos muito isso com as mulheres no programa, pois acredito que tudo começa e termina na gente; é um processo muito individual. É complexo ditar caminhos universais, mas o que realmente nos fará saber se estamos no caminho certo, sem perder nossa essência, são os nossos valores. Nossos valores nos guiam diariamente em nossa conduta, e precisamos ter clareza deles desde o início da carreira até onde estamos ou queremos chegar. No momento em que nossos valores são quebrados, podemos ter certeza de que não estamos sendo autênticas e estamos saindo do nosso caminho, do nosso mapa. A clareza dos nossos valores é importantíssima, e não devemos nos perder neles mesmo ao conquistar novas posições, cargos e autoridade, algo que acontece muito no mercado. Recebi o conselho de uma pessoa incrível, que me disse: “Nunca deixe de olhar para os seus valores e que eles te guiem. Por mais longe que você vá, sempre retorne para os seus valores e sempre escute, olhe para eles para que te guiem ao longo da sua jornada”. Tento transmitir isso às mentoradas: foquem nos seus valores diariamente. Se em algum momento você estiver fazendo algo que acredita estar quebrando um de seus valores, você não está sendo você mesma, está quebrando sua essência. Talvez seja a hora de recalcular algumas rotas.

Em uma sociedade que ainda espera que as mulheres se conformem a padrões, assumir o protagonismo é um ato de rebeldia. Mas existe um preço a ser pago por essa rebeldia. Como você prepara as mulheres para lidar com possíveis resistências, críticas ou isolamento que podem vir com essa postura mais assertiva?

A relação entre risco e coragem é muito única para cada indivíduo. Há momentos na vida em que não podemos tomar riscos, e nossa coragem fica mais limitada. Em outros, optamos por uma zona de conforto – uma escolha inteligente ou intencional – e está tudo bem. É importante tirar a pressão de que, para ter sucesso, precisamos estar sempre na zona da coragem, sempre no risco, sempre em busca de mais. Obviamente, há momentos da vida que exigem mais riscos e ousadia, e há pessoas que não têm esse perfil. O mais importante é ter clareza de quem somos e do nosso momento. Um ponto crucial nessa relação de risco e coragem é que a independência financeira e a liberdade financeira são 90% determinantes. Muitas vezes, o que nos impede de ter coragem e tomar riscos são amarras financeiras, a falta dessa liberdade para arriscar mais em certos momentos da carreira. Por isso, incentivo muito as mulheres a buscarem isso, pois a liberdade financeira dará liberdade de escolha na carreira ao longo da vida. Precisamos saber diferenciar riscos importantes de riscos desnecessários. Risco e coragem fazem parte da nossa vida e carreira diariamente, mesmo que não paremos para pensar. É fundamental ter uma análise assertiva e olhar para dentro, entender nosso momento. Muitas vezes, tomamos riscos ou decisões baseadas na expectativa dos outros.

Na minha carreira, um dos momentos mais emblemáticos foi a transição de carreira. Foi um momento muito difícil, de sair de uma posição CLT para empreender. Não tive apoio, e as pessoas acreditavam que o melhor para mim era permanecer no modelo de trabalho em que estava, pois estava “tudo acontecendo”. Migrei e mudei minha carreira lentamente, empreendendo como um projeto paralelo, tomando a decisão de forma gradual até ter coragem suficiente. Embora nunca estejamos totalmente preparados, hoje, como empreendedora, tomar riscos constantemente é um desafio e um processo extremamente solitário. Empreender exige um nível muito grande e diário de coragem e uma falta de certeza. Vivo um momento profissional em que coragem e risco me acompanham praticamente todos os dias.

O conceito de “rede e conexão” é crucial. No mercado financeiro, que historicamente opera na lógica da competição individual, como você constrói uma mentalidade de abundância entre mulheres? Como elas podem colaborar sem perder a própria competitividade?

O assunto de networking pode soar batido ou clichê, e precisamos ter cuidado com isso. Acredito muito no poder das conexões e as exerço em minha essência. Precisamos entender como fazer relacionamentos mais estratégicos. Não é inteligente apenas tomar um café por tomar ou distribuir cartões sem propósito. As mulheres precisam aprender a fazer essa conexão de forma mais estratégica, buscando pessoas que são estratégicas para o seu momento, sua vida e seus objetivos. As mulheres devem fazer conexões mais estratégicas sem perder a essência e a verdade. É importante que a outra pessoa perceba que você está sendo estratégica e assertiva, mas também totalmente verdadeira. Devemos evitar a falsidade, o interesse puramente utilitarista ou a busca por se aproveitar da pessoa.

“A pausa é fundamental para parar, refletir, se permitir e ter momentos de quebra na rotina… Líderes e executivas que se permitem pausas têm resultados muito interessantes, seja por meio de conexões, reflexão ou criatividade.”
Você trabalha com mulheres em diferentes estágios da carreira. Já aconteceu de uma participante mais jovem ou menos experiente te ensinar algo que mudou sua perspectiva? Como você vê o papel das novas gerações na transformação do mercado financeiro?

Acredito 100% na conexão e no aprendizado 360. Aprendo muito com meninas mais jovens, assim como aprendo e absorvo de mulheres mais velhas e da minha idade. Tenho a convicção de que todos têm algo a dizer e que posso aprender e absorver de cada um. Quando me disponho a conhecer alguém ou tomar um café, estou com a escuta muito ativa e atenta ao que a pessoa pode me ensinar. Temos muito a aprender com as novas gerações. Por exemplo, temos uma estagiária de 20 anos na Fin4She que chamo para falar sobre produtos, e aprendo muito com ela. Ela faz parte da geração que consome nossos produtos e participa do que fazemos. Aprendo ao ouvi-la sobre como ela gostaria de fazer um curso, ler, ou ser impactada (WhatsApp ou e-mail). A trago para as conversas para entender comportamento e novas gerações, porque nosso público é diverso geracionalmente. Gosto muito de interagir com essa nova geração, especialmente as mulheres. Vejo uma geração com muito brilho nos olhos, muito inspirada, com muita vontade de fazer diferente, com protagonismo, presença, autonomia e decisão. Isso me deixa muito empolgada. Vivemos um momento de conflito geracional, e precisamos tirar um pouco essa ideia de “eles e a gente”, para pensarmos em “nós” como sociedade. O que buscamos hoje, o que esperamos das relações, do trabalho e das novas dinâmicas corporativas? Precisamos encontrar esses novos caminhos que percorreremos juntos como sociedade.

Se você pudesse deixar apenas um conselho para uma mulher que está hesitante em assumir o protagonismo da própria carreira, qual seria?

O principal conselho é: acredite em você. Passamos muito tempo tentando nos moldar e nos encaixar nas expectativas dos outros, especialmente como mulheres, sobre o que a sociedade considera um bom emprego, o caminho “certo” ou a remuneração ideal. E acreditamos muito pouco em nossa própria capacidade e intuição. Então, para a mulher que quer assumir seu protagonismo, meu conselho é: acredite em você. Dê um passo para dentro para poder dar milhões de passos para frente.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *