g, de gumae

É uma brasa, mora?

Como Roberto Carlos ajuda no conceito de People Analryrics – sim, é isso mesmo

Já pensou em sair pela empresa e “cantar e cantar e cantar” a beleza de ser um eterno aprendiz para mostrar o que é o lifelong learning? Ou escrever uma letra bacana para passar o propósito da firma? Que tal batizar a área de RH da companhia de CHAMA (Chief of Human and Ambitious Masterpiece Anywhere, licença poética)?

Antes que alguém torça para que eu queime nas chamas do inferno pela expressão, devo dizer que há uma boa lista de nomes para RH que podemos conversar mais tarde. E por falar em calor e fogo… certa vez, o clima pegou fogo em um show de Roberto Carlos. Durante uma de suas músicas, o rei da Jovem Guarda foi interrompido por alguém na plateia. Com cara de poucos amigos, o rei (que queria ter um milhão de amigos certa vez) soltou um “P*! Cala a boca!”.

Que jeito de tratar as pessoas, moço!

Mas esse comportamento fez com que uma luz se acendesse na minha mente e pensei sobre como o rei poderia entrar na onda da gestão de pessoas. E resolvi que “eu vou seguir essa luz que me chama, eu vou subir a montanha e ficar”… opa, essa é uma música dele!

Por sorte ou ironia do destino, naquela hora do show, o rei executava Como é grande o meu amor por você, algo que, talvez não se adequava muito bem ao rapaz que falava alto entre o público – imagino que o verbo “executar” se ajuste melhor a ele, mas em sentido figurado, que fique claro. Aliás, essa música (Como é grande…) tem um bom começo para ilustrar a dificuldade em dar feedback: “Eu tenho tanto pra lhe falar,/mas com palavras não sei dizer…”

Quanta gente nas empresas não merece um feedback mais assertivo por causa de seu comportamento, hein? E quantas letras não servem para situações nesse ambiente, não? “Patrão, o trem atrasou/por isso estou chegando agora”, “Ei, você aí, me dá um aumento aí!”. Não, espera: é dinheiro!

O que me fez trazer o rei Roberto para este texto foi o ritmo de aventura que tomou sua vida nos fins dos anos 1960.

Os lambaris do rei

Era 1968, quando foi lançado o filme Roberto Carlos em ritmo de aventura, de Roberto Farias. Pode-se dizer que o longa é uma espécie de colagem de locais, vilões (ou vilão, o magistral José Lewgoy), brotinhos, carangas e calhambeques, aviões (no sentido literal) e tanques (!) – sempre ao som das músicas do personagem principal.

Uma sequência chamou minha atenção para um fato que é tão corriqueiro nos dias de hoje: em uma bela casa, uma linda mulher, trajada com uma roupa prata-brilhante (como se fosse uma deusa de um planeta que já-já o telescópio espacial James Webb vai fotografar), lança uma proposta indecorosa para o rei. Que tal ganhar milhões com suas (dele, no caso) músicas, em todo o mundo?

O diálogo é bom:

– Roberto, sabe que você, eu e a cibernética podemos ser muito felizes?

– É, mas… esse negócio de robô, cérebro eletrônico, computador… eu acho meio difícil, hein?

– Os cérebros eletrônicos também são robôs. A diferença é que dentro de pouco tempo eles vão governar o mundo…

Roberto não precisaria fazer nada, pois um baita computador daria conta do serviço, já que aquele tipo de mainframe estava alimentado com zilhões de dados sobre o rei – devidamente fornecidos à máquina por cartões perfurados!

(Quem se lembra desses seres nos quais eram enfiadas pontas de metal para assinalar, com furos, respostas em provas objetivas de concursos levante a mão! Eu!)

– Nosso computador sabe até que uma das coisas que você mais gosta é pescar lambaris!

Um pouco mais adiante, o rei manda tudo para o inferno de forma genial:

– Essa máquina esqueceu de te dizer uma coisa: que eu gosto de fazer música!

Só faltou um “mora?”.

Meu primo Hal

Sempre que converso com o mestre Carlos Alberto Piazza Timo Iaria, pergunto se caminhados, agora em ritmo de aventura, para um futuro como nos filmes Ex-machina ou Homem bicentenário. Ia dizer 2001, uma odisseia no espaço, em que aparece o supercomputador Hal, mas vou desistir, pois esse filme é do mesmo ano do de Roberto (1968) e imagino que as duas máquinas tenham lá alguns chips em comum na placa genealógica…

O que o rei nos ensina é simples, em meio a tantos dados, máquinas, automação, chips e bytes em ordens astronômicas (mais uma coisa para o James Webb captar): não podemos perder o gosto e o prazer de fazer música. Sei que algumas “máquinas” estão compondo e que a música eletrônica, por exemplo, é forte (escreverei mais sobre ela e o mundo do trabalho dia desses), mas ainda é o humano quem faz a diferença.

Viramos, num banquete cibernético, o tempero das coisas.

Até ouso dizer que tão importante quanto o People Analytics é o People Analyrics. Para mim, cujo inglês não chega aos pés do de Caetano e Gil assim que aportaram em Londres ao serem exilados, essas palavras têm uma pronúncia muito parecida: analyrics e analytics. Repita-as sem parar para ver! (Como repetir Beetlejuice três vezes em Os fantasmas se divertem)

Gostei de People Analyrics! Trata-se dessa capacidade toda nossa de expressar sentimentos, de criar, de fazer arte, música. A vida, dentro das empresas, será fazer arte! Mas não é aquela “arte” que provoca mães com chinelos na mão correndo atrás de nós.

É a arte que nos faz olhar para dentro, para nos conhecermos, para decodificarmos o mundo de forma surpreendente. A arte que liberta, provoca, instiga. Cada um dentro da empresa será o artista que vai tirar o que não é arte de um bloco de mármore – lembrando, como diz a lenda, de quando perguntaram a Michelangelo sobre como havia criado Davi; ele respondeu que simplesmente havia tirado do bloco de pedra o que não era… Davi.

Usemos a tecnologia como o cinzel! Vamos tirar o que não é de RH do RH. Passemos para a máquina. Que a cada golpe, ela tire a burocracia, aquelas operações repetitivas, para que o RH possa sair da condição daqueles presos que víamos em filmes americanos, com uniformes listrados, unidos por correntes nos pés, quebrando pedras…

Cantarole, assovie, componha, rime, balbucie alguma coisa em algum ritmo. A vida é movimento e com música fica mais fácil. Sei que os tempos estão mais para trovoadas, mas não custa tentar.

Você, RH, que me lê (uau! Conseguiu chegar até aqui? Merece um prêmio!), não tenha medo de compor. Vire CHAMA! Queime os velhos paradigmas! Alterne os ritmos (mais ágil, quem sabe?), busque outros instrumentos (ferramentas, conhecimentos), orquestre o coral e monte o seu show, a sua arte, solte sua voz.

E não se incomode se alguém lhe der o troféu abacaxi, do saudoso Chacrinha! Se isso acontecer, diga: “e que tudo mais vá pro inferno!” Nãããããooo! Espera! Faça diferente: dê uma boa risada, olhe nos olhos de quem retrucar e cante:

“Por isso uma força

Me leva a cantar.

Por isso essa força

Estranha no ar.

Por isso é que eu canto,

Não posso parar.

Por isso essa voz tamanha…”

(foto: reprodução)

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Um comentário sobre “É uma brasa, mora?

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