Seu líder pergunta: “vamos cruzar o Saara?”
O que você responderia? Embarcaria nessa viagem ou sairia correndo da empresa?

Ele morreu quase um mês antes de eu nascer. Tinha só 32 anos. Foi nas pistas, testando um carro que seria usado nas 500 milhas de Indianápolis. Era o que podemos chamar de hands on. E handsome. Aliás, essas palavras, no meu parco inglês, sempre soaram muito parecidas. Confundo-as, é sério! E fora do idioma, vejo que muita gente, nas redes sociais, também as usa de forma equivocada… muitos, por exemplo, dizem ser hands on para parecer handsome. Ou aparentam ser handsome para vender uma imagem hands on. Isso não é nada cool…
Mas estou falando de Bruce McLaren, o cara que criou a equipe de Fórmula 1 que leva seu nome. O cara que sofreu na infância com a Doença de Perthe, que o deixou paralisado por meses e ainda a ficar com a perna direita 5 centímetros maior que a esquerda. O cara que disputou as provas de Le Mans, no embate clássico entre Ferrari e Ford nos anos 1960 (há um bom documentário sobre esse episódio na Prime Video)… O cara!
Ele era handsome, um boa pinta (ainda se diz isso?). E, forçando um pouco na tradução, handsome nas pistas e fora delas: no jeito de pilotar e liderar sua equipe. Era hands on no volante (claro) e longe dele, ajudando a criar seus carros, a gerir o negócio. Era o que muitos desejariam ser hoje.
Com este despretensioso texto vai o trailer do documentário McLaren (no Brasil, McLaren – O homem por trás do volante), de Roger Donaldson, que pude ver recentemente (dá-lhe Netflix!). Nele, acompanhamos a trajetória do neozelandês Bruce em cerca de uma hora e meia. Com ele, aprendemos muito sobre liderança. Sobre motivação. Propósito.
“Para mim, a vida se mede por conquistas, e não só pelos anos”, disse uma vez. Como eu escrevi no início deste texto, ele morreu pouco antes de eu nascer, mais precisamente em 2 de junho de 1970, no Goodwood Circuit, em West Sussex, Inglaterra. Semanas depois, eu aparecia por estas bandas – e, anos mais tarde, pude curtir, na minha infância, boa parte do seu legado.
Nas minhas comemorações de nova idade (dia 1º de julho, ainda aceito parabéns, rs!), essa frase veio à minha cabeça. E o tal de hands on e handsome. Quais foram minhas conquistas? Qual o legado que quero deixar? Que exemplo? Se alguém se interessar por essa história e assistir ao documentário, já está valendo! E se conseguir traduzir no dia a dia as lições de liderança que ele nos dá, melhor ainda! Se seu “líder” pedir para você, agora, no seu escritório, largar tudo o que está fazendo e atravessar o Saara com ele, o que você responderia? Veja o filme e entenda a resposta do time McLaren!
